Professor Trindade explica a estrutura e os processos de formação das palavras

Raiz

Morfema lexical originário, irredutível, geralmente monossilábico, que contém o núcleo significativo comum às palavras cognatas ou de mesma família. Por sofrerem muitas alterações e serem de difícil delimitação, as análises trabalham basicamente com os radicais.

Radical, lexema ou semantema

Morfema lexical que se opõe aos outros de derivação e flexão numa palavra (galo, galinha, galináceo). Alguns vocábulos são constituídos apenas por radical (lápis, mar, hoje). Na prática, pode-se fazer distinção entre diversos níveis de radicais, sendo o radical primário a raiz (desregularizar – desregulariz > regulariz > regul > reg – são 4 níveis de radicais ditos primário, secundário …)

Vogal temática

Vogal que, em alguns casos, agrega-se ao radical, preparando-o para receber as desinências. Nos verbos, indicam a conjugação verbal (1ª -a, 2ª -e, 3ª -i), e são átonas (-a, -e, -o) nos nomes.



Tema

União de radical mais vogal temática. Nos nomes, o tema é mais evidente em derivados de verbos (caça-dor / ferve-nte)

Observação

Formas atemáticas – terminadas em cons. ou vog. tônica (mar, café), constituem-se apenas de radical.

Desinências

Apóiam-se ao radical para marcar as flexões gramaticais.

Podem ser nominais ou verbais:

Nominais – indicam flexões de gênero e número dos nomes (gat-a e gato-s)

Verbais – indicam tempo e modo (modo-temporais) ou pessoa e número (número-pessoais) dos verbos.

Afixos



Morfemas derivacionais (gramaticais) agregados ao radical para formar palavras novas.

Prefixo

Antes do radical (infeliz)

Sufixo

Depois do radical (felizmente)

Vogal e consoante de ligação ou infixo

Elementos mórficos insignificativos que surgem para facilitar ou até possibilitar a pronúncia de determinadas construções (silv-í-cola, pe-z-inho, pobre-t-ão, gas-eificar, rat-i-cida, rod-o-via)

Alomorfes

São as variações que os morfemas sofrem (amaria – amaríeis; feliz – felicidade)

Observações

Cegalla divide os elementos estruturais:

raiz / radical / tema (elementos básicos e significativos) + afixos / desinências / VT (elementos modificadores da signficação dos primeiros) + vogal e consoante de ligação (elementos de ligação, eufônicos, não são morfemas)

nomes terminados por r, z, s (oxítonas) ou l apresentam vogal temática só no plural (anima -i-s)

grau não é flexão, por que os elementos que o caracterizam não são desinências, mas sufixos. Os sufixos usados na construção de graus podem sofrer flexões (menin-inh-a-s)

Estrutura das Palavras – Elementos
As palavras são formadas por unidades mínimas chamadas de morfemas.



Nem sempre, porém, as palavras apresentam todos os elementos que estão listados a seguir:

1. Radical

É indispensável às palavras, uma vez que é o elemento portador de seu significado. O radical é comum a uma família de palavras.

2. Afixos

Elementos que se juntam ao radical – antes (prefixo) ou depois (sufixo) – para mudar seu significado, dar uma informação ou mesmo alterar sua classe gramatical.

3. Vogal temática

Vogal que se junta ao radical a fim de formar a base para a colocação de desinências. Nos verbos, marca a conjugação.

4. Desinências

Elementos finais das palavras variáveis.

Nominal: indicam gênero e número.
Verbal: indicam tempo-modo e número-pessoa.

PROCESSOS DE FORMAÇÃO DE PALAVRAS
Em português, as novas palavras se formam pelos seguintes processos: composição, derivação e hibridismo.

1. Composição

Combinação de dois ou mais vocábulos já existentes para formar uma nova palavra.

Classifica-se em

1.1. Justaposição – as palavras mantêm a sua autonomia fonética.
1.2. Aglutinação – as palavras sofrem alteração fonética.

2. Derivação

Formação de uma nova palavra através da anexação ou da retirada de afixos junto ao radical.

Classifica-se em

2.1. Prefixal – anexação de prefixo junto ao radical.
2.2. Sufixal – anexação de um sufixo junto ao radical.
2.3. Prefixal e sufixal – colocação de prefixo e sufixo junto ao radical.
2.4. Parassintética – colocação simultânea de prefixo e sufixo junto ao radical. Se um dos afixos for suprimido, não resta palavra existente na língua.
2.5. Regressiva – formação de uma nova palavra através da retirada de elementos finais. Normalmente, os verbos sofrem esse tipo de derivação.
2.6. Imprópria – mudança de sentido e classe gramatical de uma palavra já existente, sem alterar sua forma.

3. Hibridismo

É a palavra formada por elementos de língua diferentes.

Estrutura das Palavras – Morfemas
Os elementos mórficos (morfemas) da estrutura das palavras são:

radical
desinência
afixos
vogal temática
tema

Radical

É o elemento principal da palavra, a base de seu significado.

Noivado ? radical noiv-
risonha ? radical ris-
trabalhar ? radical trabalh-

Os radicais são elementos comuns às palavras da mesma família etimológica (da mesma origem).

Palavras cognatas

Chamam-se cognatas as palavras que conservam o mesmo radical.

olh -o sacud – ir
olh – ado sacud -ida
olh – eiro sacud – idona
ca – olh – o sacud – idela

Cuidado com os falsos cognatas – palavras semelhantes em sua forma gráfica, mas que diferem quanto ao significado.

Desinência

É o elemento que se acrescenta ao radical para indicar flexão.

A desinência pode ser: nominal (gênero e número) ou verbal (modotemporal – quando indica o modo e o tempo dos verbos e número pessoal quando indica a pessoa e o número).

casas
radical
desinência
nominal de gênero
desinência
nominal de número
fô sse mos
radical
desinência
modo-temporal
desinência
número-pessoal

Afixos

São os elementos significativos secundários, juntados ao radical para formar palavras novas. Quando o afixo vem antes do radical, chama-se prefixo, e quando vem depois, sufixo.

res- pingo
sobre-viver
feliz – mente
charut – aria

Vogal temática e Tema

Vogal temática é a vogal que sucede o radical dos verbos ou dos nomes. Em verbos, indica a conjugação, a que eles pertencem.

a – que indica a 1ª conjugação: junt a mos
e – que indica a 2ª conjugação: bat e ndo
i – que indica a 3ª conjugação: sent i a

Tema é o radical acrescido da vogal temática, isto é, pronto para receber as desinências.

Exemplo

beb+e = bebe (tema)

Vogal e consoante de ligação

É a vogal ou a consoante cuja função é unicamente ligar dois morfemas. Trata-se de elementos sem significação própria que apenas facilitam a pronúncia das palavras.

Exemplos

cha l eira
gas ô metro
café t eira

Estrutura das Palavras – Análise
A análise da estrutura das palavras revela-nos a existência de vários elementos mórficos chamados de morfemas.

Os elementos que contêm o significado básico da palavra chamam-se morfemas lexicais, e os que indicam a flexão das palavras, ou seja, as variações para indicar gênero, número, pessoa, modo, tempo recebem o nome de morfemas gramaticais.

Em meninas, por exemplo, menin– é morfema lexical, a é morfema gramatical de gênero e s é morfema gramatical de número.

Os elementos mórficos são os seguintes:

Radical
É o elemento comum de palavras cognatas também chamadas de palavras da mesma família. É responsável pelo significado básico da palavra.

Exemplos

terra
terreno
terreiro
terrinha
enterrar
terrestre…

Nas palavras acima, o elemento terr é o radical, já que não pode ser decomposto em unidade menores  e nele se concentra o significado básico da palavra.

Observação

As palavras que apresentam o mesmo morfema lexical, isto é, o mesmo radical, são chamadas de cognatas.

Assim, são cognatas as palavras: ferro, ferreiro, ferragem, ferrugem, ferrado, ferrador, ferradura, etc.

Estrutura das Palavras – Tipo
Afixos

São partículas que se anexam ao radical para formar outras palavras.

Existem dois tipos de afixos:

Prefixos

Colocados antes do radical.

Exemplos

desleal
ilegal

Sufixos

Colocados depois do radical.

Exemplos

folhagem
legalmente

Infixos

São vogais ou consoantes de ligação que entram na formação das palavras para facilitar a pronúncia. Existem em algumas palavras por necessidade fonética.

Os infixos não são significativos, não sendo considerados morfemas.

Exemplos

café-cafeteira
capim-capinzal
gás-gasômetro

Vogal Temática

Vogal Temática (VT) se junta ao radical para receber outros elementos. Fica entre dois morfemas.

Existe vogal temática em verbos e nomes.

Exemplos

beber
rosa
sala

Nos verbos, a VT indica a conjugação a que pertencem ( 1ª , 2ª ou 3ª ).

Exemplo

partir- verbo de 3ª conjugação

Há formas verbais e nomes sem VT.

Exemplos

rapaz
mato (verbo)

Tema

Tema = radical + vogal temática

Exemplos

cantar = cant + a
mala = mal + a
rosa = ros + a

Desinências

São morfemas colocados no final das palavras para indicar flexões verbais ou nominais.

Podem ser:

Nominais

Indicam gênero e número de nomes ( substantivos, adjetivos, pronomes, numerais ).

Exemplos

casa – casas
gato – gata

Verbais

Indicam número, pessoa, tempo e modo dos verbos.

Existem dois tipos de desinências verbais:

desinências modo-temporal (DMT)
desinências número-pessoal (DNP)

Exemplos

Nós corremos, se eles corressem (DNP
se nós corrêssemos, tu correras (DMT) 

Algumas formas verbais não têm desinências como

trouxe
bebe…

Verbo-nominais

Indicam as formas nominais dos verbos (infinitivo, gerúndio e particípio).

Exemplos

beber
correndo
partido

Principais desinências

NOMINAIS

Gênero

masculino (-o)  feminino (-a)

Número

singular (não há) plural (-s)

VERBAIS

de tempo e modo

-va,-ve: imperfeito do indicativo, 1ª conjugação

-ia, -ie: imperfeito do indicativo, 2ª e 3ª conjugações

-ra, -re: mais-que-perfeito do indicativo (átono)

-sse: imperfeito do subjuntivo

-ra, -re: futuro do presente do indicativo (tônico)

-ria, -rie: futuro do pretérito do indicativo

-r: futuro do subjuntivo

-e: presente do subjuntivo, 1º conjugação

-a: presente do subjuntivo, 2º e 3º conjugações

de pessoa e número

-o: 1ª pessoa do singular, presente do indicativo

-s: 2ª pessoa do singular

-mos: 1ª pessoa do plural

-is-, -des: 2ª pessoa do plural

-m: 3ª pessoa do plural

VERBO-NOMINAIS

-r: infinitivo  -ndo: gerúndio  -do: particípio regular

ESTRUTURA DAS PALAVRAS
Estudar a estrutura das palavras é estudar os elementos que formam a palavra, denominados de morfemas.

São os seguintes os morfemas da Língua Portuguesa.

Radical

O que contém o sentido básico do vocábulo. Aquilo que permanecer intacto, quando a palavra for modificada.

Exemplos

falar
comer
dormir
casa
carro

Observação

Em se tratando de verbos, descobre-se o radical, retirando-se a terminação AR, ER ou IR.

Vogal Temática

Nos verbos, são as vogais A, E e I, presentes à terminação verbal.

Elas indicam a que conjugação o verbo pertence:

1ª conjugação = Verbos terminados em AR.
2ª conjugação = Verbos terminados em ER.
3ª conjugação = Verbos terminados em IR.

Observação

O verbo pôr pertence à 2ª conjugação, já que proveio do antigo verbo poer.

Nos substantivos e adjetivos, são as vogais A, E, I, O e U, no final da palavra, evitando que ela termine em consoante.

Por exemplo, nas palavras:

meia
pente
táxi
couro
urubu

Cuidado para não confundir vogal temática de substantivo e adjetivo com desinência nominal de gênero, que estudaremos mais à frente.

Tema

É a junção do radical com a vogal temática. Se não existir a vogal temática, o tema e o radical serão o mesmo elemento; o mesmo acontecerá, quando o radical for terminado em vogal.

Por exemplo, em se tratando de verbo, o tema sempre será a soma do radical com a vogal temática – estuda, come, parti; em se tratando de substantivos e adjetivos, nem sempre isso acontecerá.

Vejamos alguns exemplos: No substantivo pasta, past é o radical, a, a vogal temática, e pasta o tema; já na palavra leal, o radical e o tema são o mesmo elemento – leal, pois não há vogal temática; e na palavra tatu também, mas agora, porque o radical é terminado pela vogal temática.

Desinências

É a terminação das palavras, flexionadas ou variáveis, posposta ao radical, com o intuito de modificá-las. Modificamos os verbos, conjugando-os; modificamos os substantivos e os adjetivos em gênero e número.

Existem dois tipos de desinências:

Desinências verbais

Modo-temporais = indicam o tempo e o modo.

São quatro as desinências modo-temporais:

-va- e -ia-, para o Pretérito Imperfeito do Indicativo = estudava, vendia, partia. -ra-,

para o Pretérito Mais-que-perfeito do Indicativo = estudara, vendera, partira. -ria-,

para o Futuro do Pretérito do Indicativo = estudaria, venderia, partiria. -sse-,

para o Pretérito Imperfeito do Subjuntivo = estudasse, vendesse, partisse.

Número-pessoais = indicam a pessoa e o número.

São três os grupos das desinências númeropessoais.

Grupo I: i, ste, u, mos, stes, ram, para o Pretérito Perfeito do Indicativo = eu cantei, tu cantaste, ele cantou, nós cantamos, vós cantastes, eles cantaram.

Grupo II: -, es, -, mos, des, em, para o Infinitivo Pessoal e para o Futuro do Subjuntivo = Era para eu cantar, tu cantares, ele cantar, nós cantarmos, vós cantardes, eles cantarem. Quando eu puser, tu puseres, ele puser, nós pusermos, vós puserdes, eles puserem.

Grupo III: -, s, -, mos, is, m, para todos os outros tempos = eu canto, tu cantas, ele canta, nós cantamos, vós cantais, eles cantam.

Desinências nominais

De gênero

Indica o gênero da palavra. A palavra terá desinência nominal de gênero, quando houver a oposição masculino – feminino.

Por exemplo: cabeleireiro – cabeleireira. A vogal a será desinência nominal de gênero sempre que indicar o feminino de uma palavra, mesmo que o masculino não seja terminado em o.

Por exemplo

crua
ela
traidora

De número

Indica o plural da palavra. É a letra s, somente quando indicar o plural da palavra.

Por exemplo

cadeiras
pedras
águas

Afixos

São elementos que se juntam a radicais para formar novas palavras.

São eles:

Prefixo

É o afixo que aparece antes do radical.

Por exemplo:

destampar
incapaz
amoral

Sufixo

É o afixo que aparece depois do radical, do tema ou do infinitivo.

Por exemplo:

pensamento
acusação
felizmente

Vogais e consoantes de ligação

São vogais e consoantes que surgem entre dois morfemas, para tornar mais fácil e agradável a pronúncia de certas palavras.

Por exemplo:

flores
bambuzal
gasômetro
canais

Estrutura das Palavras – Elemento


É o elemento comum de palavras cognatas também chamadas de palavras da mesma família. É responsável pelo significado básico da palavra.

Exemplos

Exemplos

dormir – durmo
querer – quis

As palavras que possuem mais de um radical são chamadas de compostas.

Exemplos

passatempo

Afixos

São partículas que se anexam ao radical para formar outras palavras.

Existem dois tipos de afixos:

Prefixos: colocados antes do radical.

Exemplos

desleal
ilegal

Sufixos: colocados depois do radical.

Exemplos

folhagem
legalmente

Infixos

São vogais ou consoantes de ligação que entram na formação das palavras para facilitar a pronúncia. Existem em algumas palavras por necessidade fonética.

Os infixos não são significativos, não sendo considerados morfemas.

Exemplos

café-cafeteir
capim-capinzal
gás-gasômetro

Vogal

Temática Vogal Temática (VT) se junta ao radical para receber outros elementos. Fica entre dois morfemas. Existe vogal temática em verbos e nomes.

Exemplos

beber
rosa
sala

Nos verbos, a VT indica a conjugação a que pertencem ( 1ª , 2ª ou 3ª ).

Exemplos

partir- verbo de 3ª conjugação

Há formas verbais e nomes sem VT.

Exemplos

rapaz
mato(verbo)

A VT não marca nenhuma flexão, portanto é diferente de desinência.

Os elementos que formam as palavras são: Radical, prefixo, sufixo, desinências, vogal temática, tema, vogal e consoante de ligação.

Vejamos:

Radical

Elemento estrutural básico contém os significados das palavras. (ex.: a + pedr + ejar)

Afixos: juntam-se ao radical para formar novas palavras:
Prefixo: antes do radical ( ex.: re + ler)
Sufixo: depois do radical ( ex.: nov + inho)

Desinências

Nominais: indicam gênero e número de nomes. (menino / menina; meninos / meninas)
Verbais: indicam pessoa, número, tempo e modo de verbos.

Exemplos

cataremos cant + a – tema
cant – radical re – desinência modo – temporal
a – vogal temática mos – desinência número – pessoal

Vogal temática: a, e, i, (indicam a conjugação do verbo).

a – am a r -1ª conjugação
e – com e r -2ª conjugação
i – part i r -3ª conjugação

A Formação das Palavras é a junção de duas ou mais palavras formando uma com significado próprio.

  Formação Exemplos
Justaposição união de duas ou mais palavras conservando cada uma o seu acento próprio e ortografia (em regra, ligadas por hífen) amor-perfeito, pé-de-cabra, segunda-feira chapéu-de-chuva pára-quedas passatempo saca-rolhas
Aglutinação união de duas ou mais palavras que se subordinam a um único acento tónico (o da segunda) e sofrem alterações ortográficas aguardente (água + ardente) embora (em + boa + hora) fidalgo (filho + de + algo) Monsanto (monte + santo)
As palavras estão em constante processo de evolução, tornando a língua um fenômeno vivo que acompanha o homem.

Alguns vocábulos caem em desuso (arcaísmos), outros nascem (neologismos) e muitos mudam de significado com o passar do tempo.

Em Língua Portuguesa, em função da estruturação e origem das palavras, pode-se chegar à seguinte divisão:

Palavras primitivas – não derivam de outras (casa, flor)
Palavras derivadas – derivam de outras (casebre, florzinha)
Palavras simples – só possuem um radical (couve, flor)
Palavras compostas – possuem mais de um radical (couve-flor, aguardente)

Para a formação das palavras portuguesas, é necessário o conhecimento dos seguintes processos de formação:

Composição



Junção de radicais. São dois tipos de composição, em função de ter havido ou não alteração fonética.

Junção de radicais. São dois tipos de composição, em função de ter havido ou não alteração fonética.
Justaposição – sem alteração fonética (girassol, sexta-feira)
Aglutinação – alteração fonética, com perda de elementos (planalto, pernalta). Gera perda da delimitação vocabular e a existência de um único acento fônico

Derivação

Palavra primitiva (1 radical) acrescida, geralmente, de afixos.

São cinco tipos de derivação:

1. Prefixal

Acréscimo de prefixo à palavra primitiva (in-feliz, des-leal)

2. Sufixal

Acréscimo de sufixo à palavra primitiva (feliz-mente, leal-dade)

3. Parassintética ou parassíntese

Acréscimo simultâneo de prefixo e sufixo, ao mesmo tempo, à palavra primitiva (en+surdo+ecer / a+benção+ado / en+forca+ar). Por esse processo se forma essencialmente verbos, de base substantiva ou adjetiva; mas há parassintéticos de outras clases gramaticais, como adjetivos (subterrâneo, desnaturado, avermelhado, acebolado)

Observação: se com a retirada do prefixo ou do sufixo não existir aquela palavra na língua, houve parassíntese (infeliz existe e felizmente existe, logo houve prefixação e sufixação em infelizmente a partir de feliz; ensurdo não existe e surdecer também não existe, logo ensurdecer foi formada por parassíntese a partir de surdo)

Desigual existe e igualdade existe, houve prefixação e sufixação em desigualdade a partir de igual.
Anoite não existe e noitecer também não existe, logo anoitecer foi formada por parassíntese a partir de noite.
Enlouco não existe e louquecer também não existe, logo enlouquecer foi formada por parassíntese a partir de louco.

4. Regressiva ou deverbal

Redução da palavra primitiva (frangão > frango gajão > gajo, rosmaninho > rosmano, sarampão > sarampo, delegado >delega, flagrante > flagra, comunista>comuna). Cria substantivos abstratos, que denotam ação, derivados de verbos na froma infinitiva, daí ser chamado também derivação deverbal (amparo, choro, vôo, corte, destaque, conserva, fala, pesca, visita, denúncia etc.).

Observação: para determinar se a palavra primitiva é o verbo ou o substantivo cognato, usa-se o seguinte critério: substantivo denotando ação constitui-se em palavra derivada do verbo, mas se o substantivo denotar objeto ou substância será primitivo (ajudar > ajuda, estudar > estudo >, planta > plantar, âncora > ancorar)

5. Imprópria ou conversão

Alteração da classe gramatical da palavra primitiva (“o jantar” – de verbo para substantivo, “é um judas” – de substantivo próprio a comum, damasco por Damasco)

Hibridismo

São palavras compostas, ou derivadas, constituídas por elementos originários de línguas diferentes (automóvel e monóculo- gr e lat / sociologia, bígamo, bicicleta – lat e gr / alcalóide, alcoômetro – ár. e gr. / caiporismo – tupi e gr. / bananal – afric e lat. / sambódromo – afric e gr / burocracia – fran e gr)

Onomatopéia

Reprodução imitativa de sons (pingue-pingue, zunzum, miau, zinzizular)

Abreviação vocabular ou redação



Redução da palavra até o limite de sua compreensão (metrô, moto, quilo, foto, cinema, rádio, ônibus, pneu, extra, fone, micro)

Siglonimização

Formação de siglas, utilizando as letras iniciais de uma seqüência de palavras (Academia Brasileira de Letras – ABL). A partir de siglas, formam-se outras palavras também (aidético, petista, uergiano)

Formação das Palavras – Língua Portuguesa
As palavras de uma língua qualquer, geralmente, procedem de três formas básicas:

a) a corrente hereditária
b) a importação estrangeira
c) a formação vernácula

Sendo que a corrente hereditária e a importação estrangeira não são estudadas neste momento.

A formação de palavras consiste, basicamente, na combinação de morfemas, radicais e afixos, possibilitando, assim, que o número de palavras de uma língua seja maior que o acervo de elementos.

Consultando qualquer boa gramática, verificaremos que o número de prefixos e sufixos não passa de algumas dezenas

Em principio são dois processos de formação de palavras.

A formação de palavras pode ser, por:

a) DERIVAÇÃO
b) COMPOSIÇÃO

O Processo de Formação das Palavras
Processo de formação das palavras (explicação prática).

As palavras podem ser formadas pelos seguintes processos:

Derivação
Composição
Processo secundário

Observe:

1. Por derivação

a. prefixal: prefixo + radical (ex.: des + fazer; re + fazer; des + contente; contra + dizer)
b. sufixal: radical + sufixo ( ex.: pedr + eiro; cafe + zinho; lis + ura; ferr + eiro etc.)
c. parassintética: prefixo + radical + sufixo (ex.: e + nobr + ecer ) depois de formada a palavra não se pode dispensar nem o prefixo, nem o sufixo sob pena da palavra ficar sem sentido).
d. prefixal e sufixal: prefixo + radical + sufixo ( ex.: des + leal + dade, in + feliz + mente). Depois de formada a palavra, pode-se dispensar o prefixo ou o sufixo, a palavra mantém o sentido.
e. regressiva: forma, a partir de verbos, substantivos indicadores de ação (ex.: sustentar – sustento)
f. imprópria: muda a classe gramatical sem alterar a forma dela (ex.: o quê, o viver, o comer, o sim)

2. Composição

a. por justaposição: as palavras que se juntam não se alteram ( ex.: ponta + pé = pontapé)
b. por aglutinação: quando ocorre alteração em pelo menos uma das palavras que se juntam (ex.: filho + de + algo = fidalgo)

3. Processo secundário

a. hibridismo: união de palavras de idiomas diferentes ( ex.: tele (grego) + visão (latim)= televisão; abreu + grafia ( português e latim) = abreugrafia etc.
b. onomatopéia: imitação de sons ( ex.: o tic-tac do relógio; cri – o cri dos grilos etc)

Formação das Palavras – Língua Portuguesa
Existem vários processos de formação de palavras na Língua Portuguesa.

Esses processos foram usados ao longo da história do idioma e podem ser usados atualmente para a criação de neologismos, quando se quer criar uma palavra para um conceito até então desconhecido.

Os principais processos de formação de palavras são os seguintes:

Derivação

A derivação é um processo que consiste no acréscimo de morfemas a um radical já existente, a fim de representar um conceito relacionado à palavra original.

Existem cinco processos de derivação, a saber:

Derivação prefixal ou prefixação

Consiste em adicionar à palavra um prefixo.

Exemplos

forma – reforma
teatro – anfiteatro
operação – cooperação

Derivação sufixal ou sufixação

Consiste em adicionar à palavra um sufixo.

Exemplos

pedra – pedreira
engenheiro – engenharia
igual – igualdade

Derivação parassintética ou circunfixação

Consiste em adicionar à palavra, ao mesmo tempo, um prefixo e um sufixo.

Exemplos:

veneno - envenenar,
frio – esfriar,
quente - esquentar,
gordo - engordar,
tédio - entediar,
magro - emagrecer, etc.

Note-se que não são consideradas parassínteses palavras como “desordenamento”, “decodificação”, etc. uma vez que existem as palavras desordenar e ordenamento, decodificar e codificação, sendo o prefixo independente do sufixo. Nesse caso, diz-se que a palavra sofreu derivação prefixal e sufixal ou prefixação e sufixação.

Derivação regressiva ou regressão

Geralmente são substantivos oriundos de verbos, e consistem na supressão das desinências verbais.

Exemplos

buscar – busca
morrer – morte

Derivação imprópria ou conversão

Esta derivação não modifica a palavra, consiste apenas em mudar a classe gramatical, geralmente transformando o verbo em substantivo.

Exemplos: o saber, o porquê, etc.

Consiste também em usar adjetivos como se fossem advérbios, por exemplo: “andar rápido”, “jogar bonito”, etc.

Composição

A composição é o processo que consiste em unir dois ou mais radicais para formar uma nova palavra.

Existem quatro processos de composição, a saber:

Justaposição

Neste caso, não há mudança nas palavras originais, e estas são unidas por hífens.

Exemplos

guarda-chuva
arranha-céu
porta-arquivos

Aglutinação

Neste caso, parte do elemento original das palavras se perde, e assim deixa de existir a noção do composto.

Exemplos

planalto (de plano + alto)
embora (em + boa + ora)
fidalgo (filho + de + algo)

União de radicais: processo semelhante ao de aglutinação, consiste em juntar elementos radicais do latim ou do grego para dar um novo significado.

Exemplos

pedofilia (pedo, “criança” + filia, “atração”)
agrícola (agro, “campo” + cola, “aquele que habita”, etc.)

Hibridismo: consiste em unir elementos sendo cada um oriundo de um idioma.

Exemplos

automóvel (latim e grego)
alcalóide (árabe e grego)

Estrangeirismo

O estrangeirismo é o processo que consiste em introduzir uma palavra de um idioma estrangeiro dentro do português. Pode receber nomes diferentes de acordo com o idioma de origem, como anglicismo (do inglês), galicismo (do francês), germanismo (do alemão), etc. Não são consideradas estrangeirismos as palavras de origem latina, bem como as palavras brasileiras de origem tupi.

O estrangeirismo pode ser de duas categorias:

Com aportuguesamento: consiste em adaptar a grafia do idioma estrangeiro para o português. Exempos: abajur (do francês “abat-jour”), algodão (do árabe “al-qutun”), lanche (do inglês “lunch”), etc.
Sem aportuguesamento: consiste em conservar a forma original da palavra. Exemplos: networking, mise-en-scène, pizza, etc.

Acrônimo

O acrônimo, ou sigla, é uma forma de composição de palavras que consiste em juntar letras ou sílabas de outras palavras para dar origem a uma nova. Na maioria dos casos (mas nem sempre), o acrônimo serve para designar nomes próprios, não sendo, portanto, um processo tradicional de formação de palavras.

Os acrônimos podem ser de duas categorias:

Silabáveis

Formam efetivamente uma nova palavra, podendo ser pronunciada de acordo com as normas do idioma.

Exemplos

Infraero (Infraestrutura Aeroportuária)
USP (Universidade de São Paulo)
Petrobrás (Petróleo Brasileiro)

Não silabáveis

Não formam propriamente uma palavra, sendo constituídos apenas pelas iniciais das palavras, sendo necessária a pronúncia do nome de cada letra.

Exemplos

FMI
MST
SPC
PSDB

Processos de Formação de Palavras
Maneira como os morfemas se organizam para formar as palavras.

Neologismo

Beijo pouco, falo menos ainda. Mas invento palavras Que traduzem a ternura mais funda E mais cotidiana. Inventei, por exemplo, a verbo teadorar.

Intransitivo

Teadoro, Teodora.

Derivação

Processo de formar palavras no qual a nova palavra é derivada de outra chamada de primitiva.

Os processos de derivação são:

Derivação prefixal

A derivação prefixal é um processo de formar palavras no qual um prefixo ou mais são acrescentados à palavra primitiva.

Exemplos

re/com/por ( dois prefixos)
desfazer
impaciente

Derivação parassintética

A derivação parassintética ocorre quando um prefixo e um sufixo são acrescentados à palavra primitiva de forma dependente, ou seja, os dois afixos não podem se separar, devem ser usados ao mesmo tempo, pois sem um deles a palavra não se reveste de nenhum significado.

Exemplos

anoitecer ( a- prefixo e -ecer sufixo), neste caso, não existem as palavras anoite e noitecer, pois os afixos não podem se separar.

Derivação sufixal

A derivação sufixal é um processo de formar palavras no qual um sufixo ou mais são acrescentados à palavra primitiva.

Derivação regressiva

A derivação regressiva existe quando morfemas da palavra primitiva desaparecem.

Exemplos

mengo (flamengo)
dança (dançar)
portuga (português)

Derivação prefixal e sufixal

A derivação prefixal e sufixal existe quando um prefixo e um sufixo são acrescentados à palavra primitiva de forma independente, ou seja, sem a presença de um dos afixos a palavra continua tendo significado.

Exemplos

deslealmente ( des- prefixo e -mente sufixo ).

Você pode observar que os dois afixos são independentes: existem as palavras desleal e lealmente.

Derivação imprópria

A derivação imprópria, mudança de classe ou conversão ocorre quand

A palavra comumente usada como pertencente a uma classe é usada como fazendo parte de outra. Ex.: coelho (substantivo comum) usado como substantivo próprio em Daniel Coelho da Silva; verde geralmente como adjetivo (Comprei uma camisa verde.) usado como substantivo (O verde do parque comoveu a todos.)

Composição

Processo de formação de palavras através do qual novas palavras são formadas pela junção de duas ou mais palavras já existentes.

Existem duas formas de composição:

Justaposição
Aglutinação

A justaposição ocorre quando duas ou mais palavras se unem sem que ocorra alteração de suas formas ou acentuação primitivas.

Exemplos

guarda-chuva
segunda-feira
passatempo

A composição por aglutinação ocorre quando duas ou mais palavras se unem para formar uma nova palavra ocorrendo alteração na forma ou na acentuação.

Exemplos

fidalgo (filho + de +algo)
aguardente (água + ardente)

Hibridismo

Consiste na formação de palavras pela junção de radicais de línguas diferentes.

Exemplos

auto/móvel (grego + latim)
bio/dança (grego + português)

Onomatopéia

Consiste na formação de palavras pela imitação de sons e ruídos.

Exemplos

triiim
chuá
bué
pingue-pongue
miau
tique-taque
zunzum

Sigla

Consiste na redução de nomes ou expressões empregando a primeira letra ou sílaba de cada palavra.

Exemplos

UFMG – Universidade Federal de Minas Gerais
IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística

Abreviação ou redução

Consiste na redução de parte de palavras com objetivo de simplificação.

Exemplos

moto (motocicleta)
gel (gelatina)
cine (cinema, que é redução de cinematográfico).

Fonte: www.graudez.com.br/www.brazilianportugues.com/www.priberam.pt

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