Professor Trindade explica sobre os verbos
Palavra variável, de conteúdo nocional, que indica um processo, quer se trate de ação, de estado, de mudança de estado, ou de um fenômeno.
de ação: andar, correr.
de estado: ser, estar.
de mudança de estado: tornar- se, ficar.
de fenômeno: ventar, chorar.
Caracterização quanto ao critério semântico.
O verbo caracteriza- se, em oposição aos nomes, pelo valor dinâmico de sua significação, expressando realidades situadas no tempo.
Essa idéia temporal traduzida pelo verbo pode assumir o caráter:
a) de TEMPO
É a situação da ocorrência do processo em relação ao momento em que se fala, como atual ou presente; anterior ou passada; posterior ou futura.
Nota – passada é igual a pretérita.
b) de ASPECTO
É o que diz respeito à duração do processo (visto como instantâneo: caio; ou durativo: estou lendo) ou à perspectiva pela qual o falante o considera (em um início incoativo: anoitece; em seu curso e inconcluso – imperfeito: chovia, em seu fim, já concluso – sem perfeito: choveu, presentes, a iniciar- se – inceptivo: vou falar; concluso, mas permanente em seus efeitos – permansivo: sei, repetido – freqüentativo ou interativo: saltitar).
Como se pode ver, o aspecto verbal, em português, é traduzido ou pelo próprio semantema do verbo ou por sufixos, ou por verbo auxiliar de locução verbal.
Caracterização quanto ao critério morfológico:
O verbo é a classe de palavras mais rica em flexões, que são:
a) de modo
b) de tempo
c) de número – pessoa
d) de voz
a) DE MODO
É a propriedade de o verbo designar a atitude mental do falante em face do processo que enuncia.
Os modos são:
1 – Indicativo
2 – Subjuntivo
3 – Imperativo
1) INDICATIVO
Expressa uma atitude de certeza, convicção ou apresenta um fato como real.
Podemos ainda dizer que indica o fato real, verdadeiro.
Exemplos:
Brinco, trabalho, estudo; brincava, trabalhava, estudava; brinquei, trabalhei, estudei.
2) SUBJUNTIVO
Exprime um atitude de dúvida, condição, possibilidade ou incerteza, ou anuncia um fato como possível, hipotético, provável ou incerto.
Exemplos:
Brincasse, trabalhasse, estudasse; brinque, trabalhe, estude; brincássemos, trabalhássemos, estudássemos.
3) IMPERATIVO
Em que o falante deseja que um fato se dê: é a expressão da ordem, do desejo, da súplica, do pedido, do conselho, da recomendação, do convite, do alerta.
Realmente, o imperativo indica principalmente a ORDEM e o DESEJO.
Exemplos:
Brinca, trabalha, estuda; brinque, trabalhe, estude; brincai, trabalhai, estudai.
b) DE TEMPO
O tempo verbal é a localização da ocorrência do processo em relação ao momento em que se fala.
São três os tempos:
a) presente
b) pretérito (= passado)
c) futuro
Somente o pretérito e o futuro são divisíveis, o presente, no entanto, é único.
Existem tempos simples, compostos, primitivos e derivados.
c) DE NÚMERO
1) O verbo apresenta desinências que, simultaneamente, indicam número singular e plural.
Ainda podemos dizer que indica a quantidade de seres envolvidos no processo verbal.
2) DE PESSOA:
A flexão de pessoa indica as pessoas do discurso, são elas:
a) 1ª pessoa é a que fala, também chamada de falante. Eu e nós. Eu estudei, nós trabalhamos.
b) 2ª pessoa é a que com quem se fala ou interlocutor. Tu e vós. Tu estudaste, vós trabalhastes.
c) 3ª pessoa é a de quem ou que se fala ou referente e corresponde aos pronomes pessoais ele, ela, no singular, eles e elas, no plural. Ele trabalhou, eles trabalharam.
d) DE VOZ
“É a forma em que se apresenta o verbo para indicar a relação entre ele e o seu sujeito”. (P. Mattoso Câmara Jr. D. F. G., S. V. Voz)
Existe flexão de voz?
Não.
Voz não é flexão, porque não se usam desinências para se ter a voz ativa, a passiva e a reflexiva. O critério para se estabelecer a voz verbal é semântico.
Voz é apenas um aspecto verbal. É a forma que o verbo assume para exprimir sua relação com o sujeito. Essa relação pode ser de atividade, de passividade ou de atividade e passividade ao mesmo tempo.
Veja que a importância da morfologia é a que estuda o verbo com relação à voz.
O verbo pode ser:
a) ativo
b) passivo
c) reflexivo
a) VOZ ATIVA
Quando o sujeito pratica ação verbal. Ou, o verbo de uma oração está na voz ativa quando a ação é evidentemente praticada pelo sujeito.
Exemplos:
João comprou os cadernos.
Pedro brincou na praia.
Nós falamos de futebol.
Nas orações, os verbos comprou, brincou e falamos, indicam ações praticadas pelos respectivos sujeitos: João, Pedro e nós.
b) VOZ PASSIVA
Quando o sujeito recebe a ação verbal. O agente da passiva (regido de preposição por, de ou a) pratica a ação verbal.
A voz passiva pode ser apresentada sob duas formas:
1 – Com o verbo auxiliar – voz passiva analítica.
A casa foi destruída pelo fogo.
O caçador foi morto pelo leão.
A casa e o caçador funcionam como sujeito na voz passiva.
O sujeito não pratica a ação, mas sofre a ação.
Podemos dizer ainda que o sujeito não pratica e sim, recebe a ação verbal.
2 – A voz passiva com o pronome (se) apassivador – voz passiva pronominal ou voz passiva sintética.
Exemplo:
Comprou- se o livro (= O livro foi comprado).
Leu- se o livro (= O livro foi lido).
c) VOZ REFLEXIVA
Quando o sujeito pratica e recebe a ação verbal, simultaneamente.
Na voz reflexiva, a ação é, – (simultaneamente, ao mesmo tempo) – praticada e recebida pelo sujeito que, por isso, é chamada de AGENTE e ou PACIENTE.
Exemplos:
Ele se queixa.
João feriu- se.
Ele se machucou.
Eu me arrependi.
NOTA: Tem força PASSIVA os verbos ativos, quando, estando no infinitivo, funcionam como complemento de certos adjetivos. O conceito de voz ativa é essencialmente gramatical. Passividade é um conceito exclusivamente semântico. Em frases como ''Ele levou uma surra'', há voz ativa, embora o sujeito tenha sofrido a ação.
Exemplos:
“Osso duro de roer” é o mesmo que:
“Osso duro de ser roído”.de roer – é complemento nominal de duro.
“Estrada difícil de passar” eqüivale a:
“Estrada difícil de ser passada”.de passar – é complemento nominal de difícil.
Verbo – Palavra
Quando se pratica uma ação, a palavra que representa essa ação, indicando o momento que ela ocorre, é o verbo.
Uma ação ocorrida num determinado tempo também pode constituir-se num fenômeno da natureza expresso por um verbo.
Verbo é a palavra que expressa ação, estado e fenômeno da natureza situados no tempo.
Conjugações do Verbo
Na língua portuguesa, três vogais antecedem o “r” na formação do infinitivo: a-e-i. Essas vogais caracterizam a conjugação do verbo.
Os verbos estão agrupados, então, em três conjugações: a primeira conjugação(terminados em ar), a segunda conjugação(terminados em er) e a terceira conjugação(terminados em ir).
Flexão do Verbo
O verbo é constituído, basicamente, de duas partes: radical e terminações.
Exemplo:
radical: escrev
terminações: o, es, e, emos, eis, em.
As terminações do verbo variam para indicar a pessoa, o número, o tempo, o modo.
Tempo e Modo do Verbo
O fato expresso pelo verbo aparece sempre situado nos tempos:
presente – Ele anuncia o fim da chuva.
passado – Ele anunciou o fim da chuva.
futuro – Ele anunciará o fim da chuva.
Além de o fato estar situado no tempo, ele também pode indicar:
fato certo – Ele partirá amanhã.
fato duvidoso – Se ele partisse amanhã…
ordem – Não partas amanhã.
As indicações de certeza, dúvida e ordem são determinadas pelos modos verbais.
São portanto três modos verbais: Indicativo(fato certo), Subjuntivo(fato duvidoso), Imperativo(ordem).
Vozes do Verbo
Voz é a maneira como se apresenta a ação expressa pelo verbo em relação ao sujeito.
São três as vozes verbais:
Ativa – o sujeito é o agente da ação, ou seja, é ele quem pratica a ação. Ex.: Ele quebrou o copo.
Passiva – o sujeito é paciente, isto é, sofre a ação expressa pelo verbo. Ex.: O copo foi quebrado por ele.
Reflexiva – o sujeito é ao mesmo tempo agente e paciente da ação verbal, isto é, pratica e sofre a ação expressa pelo verbo. Ex.: O garoto cortou-se.
Verbo – Definição
Verbo é o nome dado à classe gramatical que designa uma ocorrência ou situação.
É uma das duas classes gramaticais nucleares do idioma, sendo a outra o substantivo.
É o verbo que determina o tipo do predicado.
Os verbos admitem vários tipos de classificação, que englobam aspectos tanto semânticos quanto morfológicos.
Verbo – Palavra Variável
Palavra variável (pessoa, tempo, número e modo) que exprime uma ação, um estado, um fenômeno.
a) O policial prendeu o assassino.
b) Maria foi atropelada pelo veículo.
c) O assassino estava doente.
d) No Nordeste quase não chove.
a) O policial praticou uma ação;
b) Maria sofreu uma ação;
c) O assassino encontrava-se num certo estado;
d) Quase não ocorre um dado fenômeno da natureza no Nordeste.
Conjugações
Os verbos da língua portuguesa se agrupam em três conjugações, de conformidade com a terminação do infinitivo:
Infinitivo em AR – verbos de primeira conjugação (cantar, amar, procurar, etc.)
Infinitivo em ER – verbos de segunda conjugação (correr, bater, ceder, etc.)
Infinitivo em IR – verbos de terceira conjugação (ir, possuir, agir, etc.)
Estrutura do verbo (radical + terminação)
O verbo possui uma base comum de significação que é chamada de RADICAL.
A esse radical se junta, em cada forma verbal, uma TERMINAÇÃO, da qual participa pelo menos um dos seguintes elementos:
Vogal temática ( -a- , -e-, -i- , respectivamente para verbos de 1ª, 2ª e 3ª conjugação)
Exemplos
cant-a
beb-era
sorr-ira
Desinência temporal (ou modo temporal) – indica o tempo e o modo:
canta (ausência de sufixo), cant-a-va, cant-a-ra
Desinência número-pessoal – identifica a pessoa e o número: canta (ausência de desinência), cant-a-va-s (2ª pessoa singular), cant-á-ra- mos (1ª pessoa plural)
Todo o mecanismo da formação dos tempos simples repousa na combinação harmônica desses elementos flexivos com um determinado radical verbal.
Muitas vezes, falta um deles, como, por exemplo:
VOGAL TEMÁTICA, no presente do subjuntivo e, em decorrência, nas formas do imperativo dele derivadas:
Exemplos
ante
cantes
cante
etc
DESINÊNCIA TEMPORAL, no presente e no pretérito perfeito do indicativo, bem como nas formas do imperativo derivadas do presente do indicativo: canto, cantas, canta, etc.; cantei, cantaste, cantou, etc.; canta (tu), cantai (vós);
DESINÊNCIA PESSOAL
a) na 3ª pessoa do singular do presente do indicativo (canta);
b) na 1ª e na 3ª pessoa do singular do imperfeito (cantava), do mais-que-perfeito (cantara) e do futuro do pretérito (cantaria) do indicativo;
c) na 1ª e na 3ª pessoa do singular do presente do subjuntivo (cante), do imperfeito do subjuntivo (cantasse) e do futuro do subjuntivo (cantar);
d) na 1ª e na 3ª pessoa do infinitivo pessoal (cantar).
Flexões do Verbo
O verbo apresenta variações de número, pessoa, modo, tempo e voz.
Número e Pessoa
O verbo admite dois números: singular (quando se refere a uma só pessoa ou coisa) e plural (quando se refere a mais de uma pessoa ou coisa).
A primeira pessoa é aquela que fala, denominada falante, e corresponde aos pronomes pessoais eu (singular) e nós (plural):
1ª pessoa singular: eu falo
1ª pessoa plural: nós falamos
A segunda pessoa é aquela a quem se fala, denominada interlocutor, e corresponde aos pronomes pessoais tu (singular) e vós (plural):
2ª pessoa singular: tu falas
2ª pessoa plural: vós falais
A terceira pessoa é aquela de quem se fala, denominada referente, e corresponde aos pronomes pessoais ele, ela (singular) e eles, elas (plural):
3ª pessoa singular: ele fala
3ª pessoa plural: eles falam
Modos
Os modos indicam as diferentes atitudes da pessoa que fala em relação ao fato que enuncia e são três:
a) Indicativo
Apresenta o fato como sendo real, certo, positivo.
Exemplo: Voltei ao colégio.
b) Subjuntivo
Apresenta o fato como sendo uma possibilidade, uma dúvida, um desejo.
Exemplo: Se tivesse voltado ao colégio, teria encontrado o livro.
c) Imperativo
Apresenta o fato como objeto de uma ordem, conselho, exortação ou súplica.
Exemplo: Volta ao colégio.
Formas nominais do verbo
São chamadas formas nominais, porque podem desempenhar as funções próprias dos nomes (substantivos, adjetivos ou advérbio) e caracterizam-se por não indicarem nem o tempo nem o modo.
São elas: o INFINITIVO, o GERÚNDIO e o PARTICÍPIO.
Infinitivo- exprime a idéia de ação e seu valor aproxima-se do substantivo:
“Navegar é preciso Viver não é preciso” (Fernando Pessoa)
Os verbos navegar e viver ocupam a função de um sujeito gramatical e por isso equivalem a um substantivo.
O infinitivo pode ser:
Pessoal
Quando tem sujeito: É preciso vencermos esta etapa (sujeito: nós)
Impessoal
Quando não tem sujeito: Viver é aproveitar cada momento. (não há sujeito)
Gerúndio
Exprime um fato em desenvolvimento e exerce funções próprias do advérbio e do adjetivo:
O menino estava chorando. (função de adjetivo)
Pensando, encontra-se uma solução. (função de advérbio)
Particípio
Exerce as funções próprias de um adjetivo e por isso pode, em certos casos, flexionar-se em número e em gênero:
Terminado o ano letivo, os alunos viajaram.
Terminados os estudos, os alunos viajaram.
Tempo
O tempo verbal indica o momento em que acontece o fato expresso pelo verbo.
São três os tempos básicos: presente, passado (pretérito) e futuro, que designam, respectivamente, um fato ocorrido no momento em que se fala, antes do momento em que se fala e que poderá ocorrer após o momento em que se fala.
O presente é indivisível, mas o pretérito e o futuro subdividem-se no modo indicativo e no subjuntivo.
Indicativo
Presente : estudo
Pretéritos
Pretérito Imperfeito: estudava
Pretérito Perfeito simples: estudei
Pretérito Perfeito composto: tenho estudado
Pretérito Mais-que-perfeito simples: estudara
Pretérito Mais-que-perfeito composto: tinha (ou havia) estudado
Futuros
Futuro do presente simples: estudarei
Futuro do presente composto: terei (ou haverei) estudado
Futuro do pretérito simples: estudaria
Futuro do pretérito composto: teria (ou haveria) estudado
Subjuntivo
Presente: estude
Pretéritos
Pretérito Imperfeito: estudasse
Pretérito Perfeito composto: tenha (ou haja) estudado
Pretérito mais-que-perfeito: tivesse (ou houvesse) estudado
Futuros
Futuro simples: estudar
Futuro composto: tiver (ou houver) estudado
Imperativo
Presente: estuda (tu)
Formação dos tempos simples (Primitivos e derivados)
Quanto à formação dos tempos, estes dividem-se em primitivos e derivados.
Primitivos
a) presente do indicativo
b) pretérito perfeito do indicativo
c) infinitivo impessoal
Derivados do Presente do Indicativo
Presente do subjuntivo
Imperativo afirmativo
Imperativo negativo
Derivados do Pretérito Perfeito do Indicativo
Pretérito mais-que-perfeito do indicativo
Pretérito imperfeito do subjuntivo
Futuro do subjuntivo
Derivados do Infinitivo Impessoal
Futuro do presente do indicativo
Futuro do pretérito do indicativo
Imperfeito do indicativo
Gerúndio
Particípio
Tempos derivados do presente do indicativo
Presente do subjuntivo
Para se formar o presente do subjuntivo, substitui-se a desinência -o da primeira pessoa do singular do presente do indicativo pela desinência -E (nos verbos de 1ª conjugação) ou pela desinência -A (nos verbos de 2ª e 3ª conjugação)
1ª conjugação 2ª conjugação 3ª conjugação Des. temporal Des. temporal Desinência pessoal
1ª conj. 2ª/3ª conj.
CANTAR VENDER PARTIR
cant E vend A part A E A Ø
cant Es vend AS part As E A s
cant E vend A part A E A Ø
cant Emos vend Amos part Amos E A mos
cant Eis vend Ais part Ais E A is
cant Em vend Am part Am E A m
IMPERATIVO
Imperativo afirmativo ou positivo
Para se formar o imperativo afirmativo, toma-se do presente do indicativo a 2ª pessoa do singular (tu) e a segunda pessoa do plural (vós) eliminando-se o S final.
As demais pessoas vêm, sem alteração, do presente do subjuntivo. Excetua-se o verbo ser, que faz sê tu e sede vós.
Imperativo negativo
Para se formar o imperativo negativo, basta antecipar a negação às formas do presente do subjuntivo.
Presente Indicativo Imperativo Afirmativo Presente Subjuntivo Imperativo Negativo
cant o – cant e –
cant as (- s) > cant a cant es > não cant es
cant a cant e < cant e > não cant e
cant amos cant emos < cant emos > não cant emos
cant ais (-s) > cant ai cant eis > não cant eis
cant am cant em < cant em > não cant em
Tempos derivados do pretérito perfeito do indicativo
Pretérito mais que perfeito
Para formar o pretérito mais-que-perfeito do indicativo elimina-se a desinência -STE da 2ª pessoa do singular do pretérito perfeito. Acrescenta-se a esse tema a desinência temporal -RA mais a desinência de número e pessoa correspondente.
Outros gramáticos, como por exemplo Napoleão Mendes de Almeida, afirmam que este tempo origina-se da terceira pessoa do pretérito perfeito (cantaram/venderam/partiram), mediante a supressão do m final e acréscimo da desinência de número e pessoa.
1ª conjugação 2ª conjugação 3ª conjugação Des. temporal Desinência pessoal
1ª /2ª e 3ª conj.
CANTAR VENDER PARTIR
canta RA vende RA parti RA RA Ø
canta RAs vende RAs parti RAs RA s
canta RA vende RA parti RA RA Ø
cantá RAmos vendê RAmos partí RAmos RA mos
cantá REis vendê REis partí REis RE is
canta RAm vende RAm parti RAm RA
m
Pretérito imperfeito do subjuntivo
Para formar o imperfeito do subjuntivo, elimina-se a desinência -STE da 2ª pessoa do singular do pretérito perfeito, obtendo-se, assim, o tema desse tempo.
Acrescenta-se a esse tema a desinência temporal -SSE mais a desinência de número e pessoa correspondente.
Outros gramáticos afirmam que este tempo origina-se da terceira pessoa do pretérito perfeito (cantaram/venderam/partiram) mediante a supressão do -ram final e acréscimo da desinência modo-temporal -SSE e da desinência de número e pessoa.
1ª conjugação 2ª conjugação 3ª conjugação Des. temporal Desinência pessoal
1ª /2ª e 3ª conj.
CANTAR VENDER PARTIR
canta SSE vende SSE parti SSE SSE Ø
canta SSEs vende SSEs parti SSEs SSE s
canta SSE vende SSE parti SSE SSE Ø
cantá SSEmos vendê SSEmos partí SSEmos SSE mos
cantá SSEis vendê SSEis partí SSEis SSE is
canta SSEM vende SSEm parti SSEm SSE
m
Futuro do subjuntivo
Para formar o futuro do subjuntivo elimina-se a desinência -STE da 2ª pessoa do singular do pretérito perfeito, obtendo-se, assim, o tema desse tempo.
Acrescenta-se a esse tema a desinência temporal -R mais a desinência de número e pessoa correspondente.
Outros gramáticos afirmam que este tempo origina-se da terceira pessoa do pretérito perfeito (cantaram/venderam/partiram) mediante a supressão do -am final e acréscimo da desinência de número e pessoa.
1ª conjugação 2ª conjugação 3ª conjugação Des. temporal Desinência pessoal
1ª /2ª e 3ª conj.
CANTAR VENDER PARTIR
canta R vende R parti R R Ø
canta Res vende Res parti Res R es
canta R vende R parti R R Ø
canta Rmos vende Rmos parti Rmos R mos
canta Rdes vende Rdes parti Rdes R des
canta Rem vende Rem parti Rem R em
Ao contrário de outros autores, Napoleão Mendes de Almeida faz a seguinte menção quanto à origem do futuro do subjuntivo:
” Sempre que tivermos dúvidas sobre a conjugação do futuro do subjuntivo, bastar-nos-á verificar a 3ª p.p. do pretérito perfeito. Se formos confrontar o futuro do subjuntivo com o infinitivo pessoal, notaremos haver igualdade de forma para muitos verbos, não dando o mesmo para uns tantos outros. Fazer, por exemplo, conjuga-se no infinitivo pessoal: fazer, fazeres, fazer, fazermos, fazerdes, fazerem; mas no futuro do subjuntivo veremos as formas: quando eu fizer, fizeres, fizer, fizermos, fizerdes, fizerem, porquanto este tempo se origina da 3ª p.p. do pretérito perfeito do indicativo.
Formação dos tempos compostos
Voz ativa
Os tempo s compostos da voz ativa são formados pelos verbos auxiliares TER ou HAVER acompanhados do particípio do verbo principal.
Exemplos
Alice tem cantado todas as noites.
Alice havia cantado aquela noite.
Voz passiva
Os tempos compostos da voz passiva são formados com o uso simultâneo dos verbos auxiliares TER (ou HAVER) e SER seguidos do particípio do verbo principal.
Exemplos
Segundo dizem, Alice teria sido assassinada por um amante.
Conjugação perifrástica
São as chamadas locuções verbais e constituem-se de um verbo auxiliar mais gerúndio ou infinitivo.
Ex.:Alice tem de cantar hoje à noite.
Alice estava cantando, quando ocorreu falta de energia elétrica.
Classificação dos verbos
Os verbos podem ser classificados em:
REGULARES
IRREGULARES
DEFECTIVOS
ANÔMALOS
ABUNDANTES
Antes de abordar acerca da classificação dos verbos, é necessário recordar o que significam vocábulos rizotônicos e arrizotônicos.
Rizotônicos (do grego riza, raiz) são os vocábulos cujo acento tônico incide no radical (Ex.:canto); arrizotônicos são os vocábulos que têm o acento tônico depois do radical (Ex.:cantei ).
Quanto à conjugação, os verbos dividem-se em:
VERBOS REGULARES
Aqueles que seguem um modelo comum de conjugação, sem apresentar nenhuma mudança no radical (cantar….. canto/cantava/cantei). Para ser regular, um verbo precisa de sê-lo no presente do indicativo e no pretérito perfeito do indicativo.
VERBOS IRREGULARES
São os verbos cujo radical sofre modificações no decurso da conjugação, ou cujas desinências se afastam das desinências do paradigma, ou ainda, aqueles que sofrem modificações tanto no radical quando nas desinências (pedir … peço ; ser …. sou/era/fui).
Quase sempre, a irregularidade surgida no tempo primitivo passa para os respectivos tempos derivados. Um verbo pode ser irregular apenas em algumas de suas flexões, ou seja, ele poder se portar como regular em alguns tempos e como irregular em outros. Isso não significa que ele não deixa de ser irregular. Ex.: O verbo pedir possui no presente do indicativo uma irregularidade que só caracteriza a primeira pessoa do singular (peço, pedes, pede, pedimos, pedis, pedem).
Há três espécies de verbos irregulares
a. verbos cuja irregularidade se dá no radical (ou tema) – (irregularidade temática) Exemplos: perder/ perco (o radical perd transformou-se em perc; ferir: firo (o radical fer transformou-se em fir)
b. verbos cuja irregularidade se dá na desinência (irregularidade flexional) Ex.: dar/ dou (a desinência regular da 1ª p.s. do indicativo da 1ª conjugação é -o)
c. verbos cuja irregularidade se dá, ao mesmo tempo, no tema e na desinência (irregularidade temático-flexional) Ex.: caber/ coube (houve alteração no radical, que de cab passou para coub, e, ao mesmo tempo, na desinência, que no paradigma é -i).
Conjugação de alguns verbos irregulares
1ª conjugação
Verbos em -EAR
Os verbos terminados em -ear, como passear, recear, cear, etc. sofrem o acréscimo de um i no radical das formas rizotônicas, isto é, nesses verbos se intercala um i entre o radical e a desinência quando o acento cai no e, o que se dá nas três primeiras pessoas do singular e na 3ª pessoa do plural do presente do indicativo e do subjuntivo, e na 2ª pessoa do singular do imperativo:
PASSEAR
Presente do Indicativo Presente do Subjuntivo Imperativo Afirmativo
passeio passeie
passeias passeies passeia (tu)
passeia passeie
passeamos passeemos
passeais passeeis
passeiam passeiem
Se os verbos terminados em -EAR devem receber um i eufônico sempre que o acento tônico recai na vogal temática, esse i perderá sua razão de existência quando o acento recair na desinência. Essa é a razão por que verbos como alhear, recear, afear, arrear, idear, não obstante provirem de alheio, receio, feio, arreio, idéia, não devem ser grafados com i no infinitivo, nem em nenhuma das formas em que o acento cai na desinência.
O verbo gear é pelo povo contraditoriamente conjugado gia e gie; o certo é: “Esta noite geia”- “Se hoje geou, não importa que amanhã também geie.” O verbo, cognato de geada (e não de giada), termina em -ear, e deve, para a conjugação, seguir a regra dos verbos assim terminados.
Verbos em -ILIAR
Os verbos terminados em -IAR sofrem irregularidades nas 1ª, 2ª e 3ª pessoas do singular e na 3ª pessoa do plural do presente do indicativo e do subjuntivo.
MOBILIAR
Presente do Indicativo Presente do Subjuntivo
mobílio
mobílie
mobílias mobílies
mobília mobílie
mobiliamos mobiliemos
mobiliais mobilieis
mobíliam mobíliem
o i acentuado é tônico
o i acentuado é tônico
Os outros verbos terminados em -iliar têm a sílaba tônica -li: auxilio, concilio, reconcilio.
Verbos em -AR
VERBO DAR
Presente Indicativo Pretérito Imperfeito Pretérito Perfeito Pretérito mais-que- perfeito Futuro Presente
dou dava dei dera darei
dás davas deste deras darás
dá dava deu dera dará
damos dávamos demos déramos daremos
dais dáveis destes déreis dareis
dão davam deram deram darão
Futuro Pretérito Imperativo Afirmativo Imperativo Negativo Presente Subjuntivo Pretérito Imperfeito Subjuntivo
daria dê desse
darias dá não dês dês desses
daria dê não dê dê desse
daríamos demos não demos demos déssemos
daríeis dai não deis deis désseis
dariam dêem não dêem dêem dessem
Futuro Subjuntivo Infinitivo Presente Impessoal Infinitivo Presente Pessoal Gerúndio Particípio
der dar
deres dares
der dar dar dando dado
dermos darmos
derdes dardes
derem darem
VERBOS EM – OAR
VERBO MAGOAR
Presente Indicativo Presente Subjuntivo
magôo magoe
magoas magoes
magoa magoe
magoamos magoemos
magoais magoeis
magoam magoem
Verbo regular.
Assim se conjugam os verbos em – OAR : abençoar, doar, abotoar, soar, voar, etc. Não se acentuam os grupos -oa e -oe, com exceção de côa, côas (homônimos de coa, coas, contrações de com + a, com + as, respectivamente, essas formas são muito comuns em poesia).
2ª conjugação
VERBO CABER
Presente Indicativo Pretérito Perfeito Indicativo Pretérito mais-que-perfeito Indicativo Presente Subjuntivo Pretérito Imperfeito Subjuntivo
caibo coube coubera caiba coubesse
cabes coubeste couberas caibas coubesses
cabe coube coubera caiba coubesse
cabemos coubemos coubéramos caibamos coubéssemos
cabeis coubestes coubéreis caibais coubésseis
cabem couberam couberam caibam coubessem
Futuro Subjuntivo Gerúndio Particípio
couber este verbo não possui a forma do imperativo, no seu sentido próprio
couberes
couber cabendo cabido
coubermos
couberdes
couberem
VERBO PÔR
Indicativo Pretérito Imperfeito Indicativo Pretérito Perfeito Indicativo Pretérito mais-que-perfeito do Indicativo Futuro do Presente Indicativo
ponho punha pus pusera porei
pões punhas puseste puseras porás
põe punha pôs pusera porá
pomos púnhamos pusemos puséramos poremos
pondes púnheis pusestes puséreis poreis
põem punham puseram puseram porão
Futuro Pretérito Indicativo Presente Subjuntivo Pretérito Imperfeito Subjuntivo Futuro Subjuntivo Imperativo Afirmativo
poria ponha pusesse puser
porias ponhas pusesses puseres põe
poria ponha pusesse puser ponha
poríamos ponhamos puséssemos pusermos ponhamos
poríeis ponhais pusésseis puserdes ponde
poriam ponham pusessem puserem ponham
3ª conjugação
VERBO ABOLIR
Presente Indicativo Imperativo Afirmativo
– –
aboles Abole
abole –
abolimos –
abolis Aboli
Defectivo nas formas em que ao L do radical seguiria a ou o, o que ocorre apenas no presente do indicativo e seus derivados. Nos demais tempos e modos, é regular.
Assim se conjugam os verbos: banir, brandir, carpir, colorir, comedir-se, delir, demolir, extorquir, esculpir, explodir, delinqüir, imergir (segundo o dicionário Michaelis, tem conjugação completa), retorquir, etc.
VERBO CAIR
Presente Indicativo Presente Subjuntivo Imperativo Afirmativo
caio Caia –
cais Caias cai
cai Caia caia
caímos Caiamos caiamos
caís Caiais caí
caem Caiam caiam
Este verbo é regular nos demais tempos.
Assim se conjugam os verbos em -AIR: abstrair, atrair, contrair, decair, distrair, esvair, extrair, recair, retrair, sair, sobressair, subtrair, trair etc.
VERBO COBRIR
Presente Indicativo Presente Subjuntivo Imperativo Afirmativo Particípio
cubro Cubra –
cobres Cubras Cobre
Cobre Cubra Cubra coberto
Cobrimos Cubramos Cubramos
Cobris Cubrais Cobri
Cobrem Cubram Cubram
Por ele se conjugam descobrir, encobrir, recobrir, dormir, engolir e tossir.
Verbos abundantes
São aqueles que apresentam duas ou mais formas em certos tempos, modos ou pessoa. Suas variantes mais freqüentes ocorrem no particípio.
Exemplos
absolver: absolvido, absolto (desusado)
anexar: anexado, anexo (mais usado como adjetivo)
despertar: despertado, desperto (mais usado como adjetivo)
gastar: gastado (desusado), gasto
ganhar: ganhado (desusado), ganho
morrer: morrido, morto
O particípio regular vem, geralmente, acompanhado dos auxiliares ter e haver (na voz ativa) e o particípio irregular acompanhado dos auxiliares ser e estar (na voz passiva), devendo-se considerar que não há uma regra a ser seguida.
Ex.: Alice tinha ganhado o prêmio de melhor cantora.(voz ativa) O prêmio de melhor cantora foi ganho por Alice.(voz passiva).
Fonte: www.brazilianportugues.com/br.geocities.com
de ação: andar, correr.
de estado: ser, estar.
de mudança de estado: tornar- se, ficar.
de fenômeno: ventar, chorar.
Caracterização quanto ao critério semântico.
O verbo caracteriza- se, em oposição aos nomes, pelo valor dinâmico de sua significação, expressando realidades situadas no tempo.
Essa idéia temporal traduzida pelo verbo pode assumir o caráter:
a) de TEMPO
É a situação da ocorrência do processo em relação ao momento em que se fala, como atual ou presente; anterior ou passada; posterior ou futura.
Nota – passada é igual a pretérita.
b) de ASPECTO
É o que diz respeito à duração do processo (visto como instantâneo: caio; ou durativo: estou lendo) ou à perspectiva pela qual o falante o considera (em um início incoativo: anoitece; em seu curso e inconcluso – imperfeito: chovia, em seu fim, já concluso – sem perfeito: choveu, presentes, a iniciar- se – inceptivo: vou falar; concluso, mas permanente em seus efeitos – permansivo: sei, repetido – freqüentativo ou interativo: saltitar).
Como se pode ver, o aspecto verbal, em português, é traduzido ou pelo próprio semantema do verbo ou por sufixos, ou por verbo auxiliar de locução verbal.
Caracterização quanto ao critério morfológico:
O verbo é a classe de palavras mais rica em flexões, que são:
a) de modo
b) de tempo
c) de número – pessoa
d) de voz
a) DE MODO
É a propriedade de o verbo designar a atitude mental do falante em face do processo que enuncia.
Os modos são:
1 – Indicativo
2 – Subjuntivo
3 – Imperativo
1) INDICATIVO
Expressa uma atitude de certeza, convicção ou apresenta um fato como real.
Podemos ainda dizer que indica o fato real, verdadeiro.
Exemplos:
Brinco, trabalho, estudo; brincava, trabalhava, estudava; brinquei, trabalhei, estudei.
2) SUBJUNTIVO
Exprime um atitude de dúvida, condição, possibilidade ou incerteza, ou anuncia um fato como possível, hipotético, provável ou incerto.
Exemplos:
Brincasse, trabalhasse, estudasse; brinque, trabalhe, estude; brincássemos, trabalhássemos, estudássemos.
3) IMPERATIVO
Em que o falante deseja que um fato se dê: é a expressão da ordem, do desejo, da súplica, do pedido, do conselho, da recomendação, do convite, do alerta.
Realmente, o imperativo indica principalmente a ORDEM e o DESEJO.
Exemplos:
Brinca, trabalha, estuda; brinque, trabalhe, estude; brincai, trabalhai, estudai.
b) DE TEMPO
O tempo verbal é a localização da ocorrência do processo em relação ao momento em que se fala.
São três os tempos:
a) presente
b) pretérito (= passado)
c) futuro
Somente o pretérito e o futuro são divisíveis, o presente, no entanto, é único.
Existem tempos simples, compostos, primitivos e derivados.
c) DE NÚMERO
1) O verbo apresenta desinências que, simultaneamente, indicam número singular e plural.
Ainda podemos dizer que indica a quantidade de seres envolvidos no processo verbal.
2) DE PESSOA:
A flexão de pessoa indica as pessoas do discurso, são elas:
a) 1ª pessoa é a que fala, também chamada de falante. Eu e nós. Eu estudei, nós trabalhamos.
b) 2ª pessoa é a que com quem se fala ou interlocutor. Tu e vós. Tu estudaste, vós trabalhastes.
c) 3ª pessoa é a de quem ou que se fala ou referente e corresponde aos pronomes pessoais ele, ela, no singular, eles e elas, no plural. Ele trabalhou, eles trabalharam.
d) DE VOZ
“É a forma em que se apresenta o verbo para indicar a relação entre ele e o seu sujeito”. (P. Mattoso Câmara Jr. D. F. G., S. V. Voz)
Existe flexão de voz?
Não.
Voz não é flexão, porque não se usam desinências para se ter a voz ativa, a passiva e a reflexiva. O critério para se estabelecer a voz verbal é semântico.
Voz é apenas um aspecto verbal. É a forma que o verbo assume para exprimir sua relação com o sujeito. Essa relação pode ser de atividade, de passividade ou de atividade e passividade ao mesmo tempo.
Veja que a importância da morfologia é a que estuda o verbo com relação à voz.
O verbo pode ser:
a) ativo
b) passivo
c) reflexivo
a) VOZ ATIVA
Quando o sujeito pratica ação verbal. Ou, o verbo de uma oração está na voz ativa quando a ação é evidentemente praticada pelo sujeito.
Exemplos:
João comprou os cadernos.
Pedro brincou na praia.
Nós falamos de futebol.
Nas orações, os verbos comprou, brincou e falamos, indicam ações praticadas pelos respectivos sujeitos: João, Pedro e nós.
b) VOZ PASSIVA
Quando o sujeito recebe a ação verbal. O agente da passiva (regido de preposição por, de ou a) pratica a ação verbal.
A voz passiva pode ser apresentada sob duas formas:
1 – Com o verbo auxiliar – voz passiva analítica.
A casa foi destruída pelo fogo.
O caçador foi morto pelo leão.
A casa e o caçador funcionam como sujeito na voz passiva.
O sujeito não pratica a ação, mas sofre a ação.
Podemos dizer ainda que o sujeito não pratica e sim, recebe a ação verbal.
2 – A voz passiva com o pronome (se) apassivador – voz passiva pronominal ou voz passiva sintética.
Exemplo:
Comprou- se o livro (= O livro foi comprado).
Leu- se o livro (= O livro foi lido).
c) VOZ REFLEXIVA
Quando o sujeito pratica e recebe a ação verbal, simultaneamente.
Na voz reflexiva, a ação é, – (simultaneamente, ao mesmo tempo) – praticada e recebida pelo sujeito que, por isso, é chamada de AGENTE e ou PACIENTE.
Exemplos:
Ele se queixa.
João feriu- se.
Ele se machucou.
Eu me arrependi.
NOTA: Tem força PASSIVA os verbos ativos, quando, estando no infinitivo, funcionam como complemento de certos adjetivos. O conceito de voz ativa é essencialmente gramatical. Passividade é um conceito exclusivamente semântico. Em frases como ''Ele levou uma surra'', há voz ativa, embora o sujeito tenha sofrido a ação.
Exemplos:
“Osso duro de roer” é o mesmo que:
“Osso duro de ser roído”.de roer – é complemento nominal de duro.
“Estrada difícil de passar” eqüivale a:
“Estrada difícil de ser passada”.de passar – é complemento nominal de difícil.
Verbo – Palavra
Quando se pratica uma ação, a palavra que representa essa ação, indicando o momento que ela ocorre, é o verbo.
Uma ação ocorrida num determinado tempo também pode constituir-se num fenômeno da natureza expresso por um verbo.
Verbo é a palavra que expressa ação, estado e fenômeno da natureza situados no tempo.
Conjugações do Verbo
Na língua portuguesa, três vogais antecedem o “r” na formação do infinitivo: a-e-i. Essas vogais caracterizam a conjugação do verbo.
Os verbos estão agrupados, então, em três conjugações: a primeira conjugação(terminados em ar), a segunda conjugação(terminados em er) e a terceira conjugação(terminados em ir).
Flexão do Verbo
O verbo é constituído, basicamente, de duas partes: radical e terminações.
Exemplo:
radical: escrev
terminações: o, es, e, emos, eis, em.
As terminações do verbo variam para indicar a pessoa, o número, o tempo, o modo.
Tempo e Modo do Verbo
O fato expresso pelo verbo aparece sempre situado nos tempos:
presente – Ele anuncia o fim da chuva.
passado – Ele anunciou o fim da chuva.
futuro – Ele anunciará o fim da chuva.
Além de o fato estar situado no tempo, ele também pode indicar:
fato certo – Ele partirá amanhã.
fato duvidoso – Se ele partisse amanhã…
ordem – Não partas amanhã.
As indicações de certeza, dúvida e ordem são determinadas pelos modos verbais.
São portanto três modos verbais: Indicativo(fato certo), Subjuntivo(fato duvidoso), Imperativo(ordem).
Vozes do Verbo
Voz é a maneira como se apresenta a ação expressa pelo verbo em relação ao sujeito.
São três as vozes verbais:
Ativa – o sujeito é o agente da ação, ou seja, é ele quem pratica a ação. Ex.: Ele quebrou o copo.
Passiva – o sujeito é paciente, isto é, sofre a ação expressa pelo verbo. Ex.: O copo foi quebrado por ele.
Reflexiva – o sujeito é ao mesmo tempo agente e paciente da ação verbal, isto é, pratica e sofre a ação expressa pelo verbo. Ex.: O garoto cortou-se.
Verbo – Definição
Verbo é o nome dado à classe gramatical que designa uma ocorrência ou situação.
É uma das duas classes gramaticais nucleares do idioma, sendo a outra o substantivo.
É o verbo que determina o tipo do predicado.
Os verbos admitem vários tipos de classificação, que englobam aspectos tanto semânticos quanto morfológicos.
Verbo – Palavra Variável
Palavra variável (pessoa, tempo, número e modo) que exprime uma ação, um estado, um fenômeno.
a) O policial prendeu o assassino.
b) Maria foi atropelada pelo veículo.
c) O assassino estava doente.
d) No Nordeste quase não chove.
a) O policial praticou uma ação;
b) Maria sofreu uma ação;
c) O assassino encontrava-se num certo estado;
d) Quase não ocorre um dado fenômeno da natureza no Nordeste.
Conjugações
Os verbos da língua portuguesa se agrupam em três conjugações, de conformidade com a terminação do infinitivo:
Infinitivo em AR – verbos de primeira conjugação (cantar, amar, procurar, etc.)
Infinitivo em ER – verbos de segunda conjugação (correr, bater, ceder, etc.)
Infinitivo em IR – verbos de terceira conjugação (ir, possuir, agir, etc.)
Estrutura do verbo (radical + terminação)
O verbo possui uma base comum de significação que é chamada de RADICAL.
A esse radical se junta, em cada forma verbal, uma TERMINAÇÃO, da qual participa pelo menos um dos seguintes elementos:
Vogal temática ( -a- , -e-, -i- , respectivamente para verbos de 1ª, 2ª e 3ª conjugação)
Exemplos
cant-a
beb-era
sorr-ira
Desinência temporal (ou modo temporal) – indica o tempo e o modo:
canta (ausência de sufixo), cant-a-va, cant-a-ra
Desinência número-pessoal – identifica a pessoa e o número: canta (ausência de desinência), cant-a-va-s (2ª pessoa singular), cant-á-ra- mos (1ª pessoa plural)
Todo o mecanismo da formação dos tempos simples repousa na combinação harmônica desses elementos flexivos com um determinado radical verbal.
Muitas vezes, falta um deles, como, por exemplo:
VOGAL TEMÁTICA, no presente do subjuntivo e, em decorrência, nas formas do imperativo dele derivadas:
Exemplos
ante
cantes
cante
etc
DESINÊNCIA TEMPORAL, no presente e no pretérito perfeito do indicativo, bem como nas formas do imperativo derivadas do presente do indicativo: canto, cantas, canta, etc.; cantei, cantaste, cantou, etc.; canta (tu), cantai (vós);
DESINÊNCIA PESSOAL
a) na 3ª pessoa do singular do presente do indicativo (canta);
b) na 1ª e na 3ª pessoa do singular do imperfeito (cantava), do mais-que-perfeito (cantara) e do futuro do pretérito (cantaria) do indicativo;
c) na 1ª e na 3ª pessoa do singular do presente do subjuntivo (cante), do imperfeito do subjuntivo (cantasse) e do futuro do subjuntivo (cantar);
d) na 1ª e na 3ª pessoa do infinitivo pessoal (cantar).
Flexões do Verbo
O verbo apresenta variações de número, pessoa, modo, tempo e voz.
Número e Pessoa
O verbo admite dois números: singular (quando se refere a uma só pessoa ou coisa) e plural (quando se refere a mais de uma pessoa ou coisa).
A primeira pessoa é aquela que fala, denominada falante, e corresponde aos pronomes pessoais eu (singular) e nós (plural):
1ª pessoa singular: eu falo
1ª pessoa plural: nós falamos
A segunda pessoa é aquela a quem se fala, denominada interlocutor, e corresponde aos pronomes pessoais tu (singular) e vós (plural):
2ª pessoa singular: tu falas
2ª pessoa plural: vós falais
A terceira pessoa é aquela de quem se fala, denominada referente, e corresponde aos pronomes pessoais ele, ela (singular) e eles, elas (plural):
3ª pessoa singular: ele fala
3ª pessoa plural: eles falam
Modos
Os modos indicam as diferentes atitudes da pessoa que fala em relação ao fato que enuncia e são três:
a) Indicativo
Apresenta o fato como sendo real, certo, positivo.
Exemplo: Voltei ao colégio.
b) Subjuntivo
Apresenta o fato como sendo uma possibilidade, uma dúvida, um desejo.
Exemplo: Se tivesse voltado ao colégio, teria encontrado o livro.
c) Imperativo
Apresenta o fato como objeto de uma ordem, conselho, exortação ou súplica.
Exemplo: Volta ao colégio.
Formas nominais do verbo
São chamadas formas nominais, porque podem desempenhar as funções próprias dos nomes (substantivos, adjetivos ou advérbio) e caracterizam-se por não indicarem nem o tempo nem o modo.
São elas: o INFINITIVO, o GERÚNDIO e o PARTICÍPIO.
Infinitivo- exprime a idéia de ação e seu valor aproxima-se do substantivo:
“Navegar é preciso Viver não é preciso” (Fernando Pessoa)
Os verbos navegar e viver ocupam a função de um sujeito gramatical e por isso equivalem a um substantivo.
O infinitivo pode ser:
Pessoal
Quando tem sujeito: É preciso vencermos esta etapa (sujeito: nós)
Impessoal
Quando não tem sujeito: Viver é aproveitar cada momento. (não há sujeito)
Gerúndio
Exprime um fato em desenvolvimento e exerce funções próprias do advérbio e do adjetivo:
O menino estava chorando. (função de adjetivo)
Pensando, encontra-se uma solução. (função de advérbio)
Particípio
Exerce as funções próprias de um adjetivo e por isso pode, em certos casos, flexionar-se em número e em gênero:
Terminado o ano letivo, os alunos viajaram.
Terminados os estudos, os alunos viajaram.
Tempo
O tempo verbal indica o momento em que acontece o fato expresso pelo verbo.
São três os tempos básicos: presente, passado (pretérito) e futuro, que designam, respectivamente, um fato ocorrido no momento em que se fala, antes do momento em que se fala e que poderá ocorrer após o momento em que se fala.
O presente é indivisível, mas o pretérito e o futuro subdividem-se no modo indicativo e no subjuntivo.
Indicativo
Presente : estudo
Pretéritos
Pretérito Imperfeito: estudava
Pretérito Perfeito simples: estudei
Pretérito Perfeito composto: tenho estudado
Pretérito Mais-que-perfeito simples: estudara
Pretérito Mais-que-perfeito composto: tinha (ou havia) estudado
Futuros
Futuro do presente simples: estudarei
Futuro do presente composto: terei (ou haverei) estudado
Futuro do pretérito simples: estudaria
Futuro do pretérito composto: teria (ou haveria) estudado
Subjuntivo
Presente: estude
Pretéritos
Pretérito Imperfeito: estudasse
Pretérito Perfeito composto: tenha (ou haja) estudado
Pretérito mais-que-perfeito: tivesse (ou houvesse) estudado
Futuros
Futuro simples: estudar
Futuro composto: tiver (ou houver) estudado
Imperativo
Presente: estuda (tu)
Formação dos tempos simples (Primitivos e derivados)
Quanto à formação dos tempos, estes dividem-se em primitivos e derivados.
Primitivos
a) presente do indicativo
b) pretérito perfeito do indicativo
c) infinitivo impessoal
Derivados do Presente do Indicativo
Presente do subjuntivo
Imperativo afirmativo
Imperativo negativo
Derivados do Pretérito Perfeito do Indicativo
Pretérito mais-que-perfeito do indicativo
Pretérito imperfeito do subjuntivo
Futuro do subjuntivo
Derivados do Infinitivo Impessoal
Futuro do presente do indicativo
Futuro do pretérito do indicativo
Imperfeito do indicativo
Gerúndio
Particípio
Tempos derivados do presente do indicativo
Presente do subjuntivo
Para se formar o presente do subjuntivo, substitui-se a desinência -o da primeira pessoa do singular do presente do indicativo pela desinência -E (nos verbos de 1ª conjugação) ou pela desinência -A (nos verbos de 2ª e 3ª conjugação)
1ª conjugação 2ª conjugação 3ª conjugação Des. temporal Des. temporal Desinência pessoal
1ª conj. 2ª/3ª conj.
CANTAR VENDER PARTIR
cant E vend A part A E A Ø
cant Es vend AS part As E A s
cant E vend A part A E A Ø
cant Emos vend Amos part Amos E A mos
cant Eis vend Ais part Ais E A is
cant Em vend Am part Am E A m
IMPERATIVO
Imperativo afirmativo ou positivo
Para se formar o imperativo afirmativo, toma-se do presente do indicativo a 2ª pessoa do singular (tu) e a segunda pessoa do plural (vós) eliminando-se o S final.
As demais pessoas vêm, sem alteração, do presente do subjuntivo. Excetua-se o verbo ser, que faz sê tu e sede vós.
Imperativo negativo
Para se formar o imperativo negativo, basta antecipar a negação às formas do presente do subjuntivo.
Presente Indicativo Imperativo Afirmativo Presente Subjuntivo Imperativo Negativo
cant o – cant e –
cant as (- s) > cant a cant es > não cant es
cant a cant e < cant e > não cant e
cant amos cant emos < cant emos > não cant emos
cant ais (-s) > cant ai cant eis > não cant eis
cant am cant em < cant em > não cant em
Tempos derivados do pretérito perfeito do indicativo
Pretérito mais que perfeito
Para formar o pretérito mais-que-perfeito do indicativo elimina-se a desinência -STE da 2ª pessoa do singular do pretérito perfeito. Acrescenta-se a esse tema a desinência temporal -RA mais a desinência de número e pessoa correspondente.
Outros gramáticos, como por exemplo Napoleão Mendes de Almeida, afirmam que este tempo origina-se da terceira pessoa do pretérito perfeito (cantaram/venderam/partiram), mediante a supressão do m final e acréscimo da desinência de número e pessoa.
1ª conjugação 2ª conjugação 3ª conjugação Des. temporal Desinência pessoal
1ª /2ª e 3ª conj.
CANTAR VENDER PARTIR
canta RA vende RA parti RA RA Ø
canta RAs vende RAs parti RAs RA s
canta RA vende RA parti RA RA Ø
cantá RAmos vendê RAmos partí RAmos RA mos
cantá REis vendê REis partí REis RE is
canta RAm vende RAm parti RAm RA
m
Pretérito imperfeito do subjuntivo
Para formar o imperfeito do subjuntivo, elimina-se a desinência -STE da 2ª pessoa do singular do pretérito perfeito, obtendo-se, assim, o tema desse tempo.
Acrescenta-se a esse tema a desinência temporal -SSE mais a desinência de número e pessoa correspondente.
Outros gramáticos afirmam que este tempo origina-se da terceira pessoa do pretérito perfeito (cantaram/venderam/partiram) mediante a supressão do -ram final e acréscimo da desinência modo-temporal -SSE e da desinência de número e pessoa.
1ª conjugação 2ª conjugação 3ª conjugação Des. temporal Desinência pessoal
1ª /2ª e 3ª conj.
CANTAR VENDER PARTIR
canta SSE vende SSE parti SSE SSE Ø
canta SSEs vende SSEs parti SSEs SSE s
canta SSE vende SSE parti SSE SSE Ø
cantá SSEmos vendê SSEmos partí SSEmos SSE mos
cantá SSEis vendê SSEis partí SSEis SSE is
canta SSEM vende SSEm parti SSEm SSE
m
Futuro do subjuntivo
Para formar o futuro do subjuntivo elimina-se a desinência -STE da 2ª pessoa do singular do pretérito perfeito, obtendo-se, assim, o tema desse tempo.
Acrescenta-se a esse tema a desinência temporal -R mais a desinência de número e pessoa correspondente.
Outros gramáticos afirmam que este tempo origina-se da terceira pessoa do pretérito perfeito (cantaram/venderam/partiram) mediante a supressão do -am final e acréscimo da desinência de número e pessoa.
1ª conjugação 2ª conjugação 3ª conjugação Des. temporal Desinência pessoal
1ª /2ª e 3ª conj.
CANTAR VENDER PARTIR
canta R vende R parti R R Ø
canta Res vende Res parti Res R es
canta R vende R parti R R Ø
canta Rmos vende Rmos parti Rmos R mos
canta Rdes vende Rdes parti Rdes R des
canta Rem vende Rem parti Rem R em
Ao contrário de outros autores, Napoleão Mendes de Almeida faz a seguinte menção quanto à origem do futuro do subjuntivo:
” Sempre que tivermos dúvidas sobre a conjugação do futuro do subjuntivo, bastar-nos-á verificar a 3ª p.p. do pretérito perfeito. Se formos confrontar o futuro do subjuntivo com o infinitivo pessoal, notaremos haver igualdade de forma para muitos verbos, não dando o mesmo para uns tantos outros. Fazer, por exemplo, conjuga-se no infinitivo pessoal: fazer, fazeres, fazer, fazermos, fazerdes, fazerem; mas no futuro do subjuntivo veremos as formas: quando eu fizer, fizeres, fizer, fizermos, fizerdes, fizerem, porquanto este tempo se origina da 3ª p.p. do pretérito perfeito do indicativo.
Formação dos tempos compostos
Voz ativa
Os tempo s compostos da voz ativa são formados pelos verbos auxiliares TER ou HAVER acompanhados do particípio do verbo principal.
Exemplos
Alice tem cantado todas as noites.
Alice havia cantado aquela noite.
Voz passiva
Os tempos compostos da voz passiva são formados com o uso simultâneo dos verbos auxiliares TER (ou HAVER) e SER seguidos do particípio do verbo principal.
Exemplos
Segundo dizem, Alice teria sido assassinada por um amante.
Conjugação perifrástica
São as chamadas locuções verbais e constituem-se de um verbo auxiliar mais gerúndio ou infinitivo.
Ex.:Alice tem de cantar hoje à noite.
Alice estava cantando, quando ocorreu falta de energia elétrica.
Classificação dos verbos
Os verbos podem ser classificados em:
REGULARES
IRREGULARES
DEFECTIVOS
ANÔMALOS
ABUNDANTES
Antes de abordar acerca da classificação dos verbos, é necessário recordar o que significam vocábulos rizotônicos e arrizotônicos.
Rizotônicos (do grego riza, raiz) são os vocábulos cujo acento tônico incide no radical (Ex.:canto); arrizotônicos são os vocábulos que têm o acento tônico depois do radical (Ex.:cantei ).
Quanto à conjugação, os verbos dividem-se em:
VERBOS REGULARES
Aqueles que seguem um modelo comum de conjugação, sem apresentar nenhuma mudança no radical (cantar….. canto/cantava/cantei). Para ser regular, um verbo precisa de sê-lo no presente do indicativo e no pretérito perfeito do indicativo.
VERBOS IRREGULARES
São os verbos cujo radical sofre modificações no decurso da conjugação, ou cujas desinências se afastam das desinências do paradigma, ou ainda, aqueles que sofrem modificações tanto no radical quando nas desinências (pedir … peço ; ser …. sou/era/fui).
Quase sempre, a irregularidade surgida no tempo primitivo passa para os respectivos tempos derivados. Um verbo pode ser irregular apenas em algumas de suas flexões, ou seja, ele poder se portar como regular em alguns tempos e como irregular em outros. Isso não significa que ele não deixa de ser irregular. Ex.: O verbo pedir possui no presente do indicativo uma irregularidade que só caracteriza a primeira pessoa do singular (peço, pedes, pede, pedimos, pedis, pedem).
Há três espécies de verbos irregulares
a. verbos cuja irregularidade se dá no radical (ou tema) – (irregularidade temática) Exemplos: perder/ perco (o radical perd transformou-se em perc; ferir: firo (o radical fer transformou-se em fir)
b. verbos cuja irregularidade se dá na desinência (irregularidade flexional) Ex.: dar/ dou (a desinência regular da 1ª p.s. do indicativo da 1ª conjugação é -o)
c. verbos cuja irregularidade se dá, ao mesmo tempo, no tema e na desinência (irregularidade temático-flexional) Ex.: caber/ coube (houve alteração no radical, que de cab passou para coub, e, ao mesmo tempo, na desinência, que no paradigma é -i).
Conjugação de alguns verbos irregulares
1ª conjugação
Verbos em -EAR
Os verbos terminados em -ear, como passear, recear, cear, etc. sofrem o acréscimo de um i no radical das formas rizotônicas, isto é, nesses verbos se intercala um i entre o radical e a desinência quando o acento cai no e, o que se dá nas três primeiras pessoas do singular e na 3ª pessoa do plural do presente do indicativo e do subjuntivo, e na 2ª pessoa do singular do imperativo:
PASSEAR
Presente do Indicativo Presente do Subjuntivo Imperativo Afirmativo
passeio passeie
passeias passeies passeia (tu)
passeia passeie
passeamos passeemos
passeais passeeis
passeiam passeiem
Se os verbos terminados em -EAR devem receber um i eufônico sempre que o acento tônico recai na vogal temática, esse i perderá sua razão de existência quando o acento recair na desinência. Essa é a razão por que verbos como alhear, recear, afear, arrear, idear, não obstante provirem de alheio, receio, feio, arreio, idéia, não devem ser grafados com i no infinitivo, nem em nenhuma das formas em que o acento cai na desinência.
O verbo gear é pelo povo contraditoriamente conjugado gia e gie; o certo é: “Esta noite geia”- “Se hoje geou, não importa que amanhã também geie.” O verbo, cognato de geada (e não de giada), termina em -ear, e deve, para a conjugação, seguir a regra dos verbos assim terminados.
Verbos em -ILIAR
Os verbos terminados em -IAR sofrem irregularidades nas 1ª, 2ª e 3ª pessoas do singular e na 3ª pessoa do plural do presente do indicativo e do subjuntivo.
MOBILIAR
Presente do Indicativo Presente do Subjuntivo
mobílio
mobílie
mobílias mobílies
mobília mobílie
mobiliamos mobiliemos
mobiliais mobilieis
mobíliam mobíliem
o i acentuado é tônico
o i acentuado é tônico
Os outros verbos terminados em -iliar têm a sílaba tônica -li: auxilio, concilio, reconcilio.
Verbos em -AR
VERBO DAR
Presente Indicativo Pretérito Imperfeito Pretérito Perfeito Pretérito mais-que- perfeito Futuro Presente
dou dava dei dera darei
dás davas deste deras darás
dá dava deu dera dará
damos dávamos demos déramos daremos
dais dáveis destes déreis dareis
dão davam deram deram darão
Futuro Pretérito Imperativo Afirmativo Imperativo Negativo Presente Subjuntivo Pretérito Imperfeito Subjuntivo
daria dê desse
darias dá não dês dês desses
daria dê não dê dê desse
daríamos demos não demos demos déssemos
daríeis dai não deis deis désseis
dariam dêem não dêem dêem dessem
Futuro Subjuntivo Infinitivo Presente Impessoal Infinitivo Presente Pessoal Gerúndio Particípio
der dar
deres dares
der dar dar dando dado
dermos darmos
derdes dardes
derem darem
VERBOS EM – OAR
VERBO MAGOAR
Presente Indicativo Presente Subjuntivo
magôo magoe
magoas magoes
magoa magoe
magoamos magoemos
magoais magoeis
magoam magoem
Verbo regular.
Assim se conjugam os verbos em – OAR : abençoar, doar, abotoar, soar, voar, etc. Não se acentuam os grupos -oa e -oe, com exceção de côa, côas (homônimos de coa, coas, contrações de com + a, com + as, respectivamente, essas formas são muito comuns em poesia).
2ª conjugação
VERBO CABER
Presente Indicativo Pretérito Perfeito Indicativo Pretérito mais-que-perfeito Indicativo Presente Subjuntivo Pretérito Imperfeito Subjuntivo
caibo coube coubera caiba coubesse
cabes coubeste couberas caibas coubesses
cabe coube coubera caiba coubesse
cabemos coubemos coubéramos caibamos coubéssemos
cabeis coubestes coubéreis caibais coubésseis
cabem couberam couberam caibam coubessem
Futuro Subjuntivo Gerúndio Particípio
couber este verbo não possui a forma do imperativo, no seu sentido próprio
couberes
couber cabendo cabido
coubermos
couberdes
couberem
VERBO PÔR
Indicativo Pretérito Imperfeito Indicativo Pretérito Perfeito Indicativo Pretérito mais-que-perfeito do Indicativo Futuro do Presente Indicativo
ponho punha pus pusera porei
pões punhas puseste puseras porás
põe punha pôs pusera porá
pomos púnhamos pusemos puséramos poremos
pondes púnheis pusestes puséreis poreis
põem punham puseram puseram porão
Futuro Pretérito Indicativo Presente Subjuntivo Pretérito Imperfeito Subjuntivo Futuro Subjuntivo Imperativo Afirmativo
poria ponha pusesse puser
porias ponhas pusesses puseres põe
poria ponha pusesse puser ponha
poríamos ponhamos puséssemos pusermos ponhamos
poríeis ponhais pusésseis puserdes ponde
poriam ponham pusessem puserem ponham
3ª conjugação
VERBO ABOLIR
Presente Indicativo Imperativo Afirmativo
– –
aboles Abole
abole –
abolimos –
abolis Aboli
Defectivo nas formas em que ao L do radical seguiria a ou o, o que ocorre apenas no presente do indicativo e seus derivados. Nos demais tempos e modos, é regular.
Assim se conjugam os verbos: banir, brandir, carpir, colorir, comedir-se, delir, demolir, extorquir, esculpir, explodir, delinqüir, imergir (segundo o dicionário Michaelis, tem conjugação completa), retorquir, etc.
VERBO CAIR
Presente Indicativo Presente Subjuntivo Imperativo Afirmativo
caio Caia –
cais Caias cai
cai Caia caia
caímos Caiamos caiamos
caís Caiais caí
caem Caiam caiam
Este verbo é regular nos demais tempos.
Assim se conjugam os verbos em -AIR: abstrair, atrair, contrair, decair, distrair, esvair, extrair, recair, retrair, sair, sobressair, subtrair, trair etc.
VERBO COBRIR
Presente Indicativo Presente Subjuntivo Imperativo Afirmativo Particípio
cubro Cubra –
cobres Cubras Cobre
Cobre Cubra Cubra coberto
Cobrimos Cubramos Cubramos
Cobris Cubrais Cobri
Cobrem Cubram Cubram
Por ele se conjugam descobrir, encobrir, recobrir, dormir, engolir e tossir.
Verbos abundantes
São aqueles que apresentam duas ou mais formas em certos tempos, modos ou pessoa. Suas variantes mais freqüentes ocorrem no particípio.
Exemplos
absolver: absolvido, absolto (desusado)
anexar: anexado, anexo (mais usado como adjetivo)
despertar: despertado, desperto (mais usado como adjetivo)
gastar: gastado (desusado), gasto
ganhar: ganhado (desusado), ganho
morrer: morrido, morto
O particípio regular vem, geralmente, acompanhado dos auxiliares ter e haver (na voz ativa) e o particípio irregular acompanhado dos auxiliares ser e estar (na voz passiva), devendo-se considerar que não há uma regra a ser seguida.
Ex.: Alice tinha ganhado o prêmio de melhor cantora.(voz ativa) O prêmio de melhor cantora foi ganho por Alice.(voz passiva).
Fonte: www.brazilianportugues.com/br.geocities.com
Comentários
Postar um comentário